Cada vez mais vemos V, do BTS, em todos os lugares
- revistatuntun
- 25 de jan.
- 3 min de leitura
— e como isso pode estar diretamente ligado à tendência de valorização da autenticidade nos dias atuais.

Por muitos anos, o imaginário coletivo foi dominado pela estética impecável e pela performance de vidas perfeitamente editadas. No entanto, 2026 chega rompendo completamente esse estigma. O público demonstra cansaço da chamada “vida clean” e do irreal, buscando menos tempo de tela, menos influenciadores que encenam uma perfeição inalcançável e, sobretudo, mais pessoas reais. Até mesmo os algoritmos parecem acompanhar esse movimento, priorizando conteúdos que valorizam autenticidade e humanidade.
Nesse contexto, V, do BTS, surge como um reflexo quase simbólico dessa mudança.
Apesar de ser um idol (um produto de uma indústria que exige perfeição em todos os sentidos) Kim Taehyung se apresenta, antes de tudo, como pessoa.
Conhecido mundialmente como V, ele nunca escondeu de seu público seu lado melancólico e sentimental: perde-se durante filmagens ao parar para observar a natureza, expressa-se de forma firme e por vezes até ameaçadora no Weverse (plataforma sul-coreana para fãs interagirem com artistas) em momentos de crise ou especulações envolvendo namoro e fãs delulus.
Já foi flagrado procurando trevos de quatro folhas durante a Paris Fashion Week e, em entrevistas ou lives, cita com naturalidade filmes profundamente românticos e sensíveis como: Orgulho e Preconceito, Me Chame Pelo Seu Nome, Questão de Tempo e Carol, sempre reforçando ser um romântico incurável.
Há quem argumente que tudo isso também poderia ser uma performance. Ainda assim, trata-se de uma identidade que Taehyung constrói desde o início de sua carreira (2013) e que se manteve sólida até os dias de hoje.

Essa intensidade emocional também se manifesta claramente em seu projeto solo, Layover, lançado em setembro de 2023. O álbum evidencia sua sensibilidadepor meio de faixas que transitam entre jazz, blues e R&B, mesclados ao pop, com letras românticas e carregadas de nostalgia.
Em entrevistas, Taehyung explicou que sua intenção era que o álbum fosse vivido como uma caminhada: do ponto de partida ao destino final — afinal, “é muito raro irmos diretamente para o destino final de nossas vidas”. Por isso, defendeu que Layover fosse apreciado em seu fluxo natural, do início ao fim.
Em uma era digital marcada pelo consumo compulsivo de vídeos curtos e pela dificuldade de atenção prolongada, V se mostrou à frente de seu tempo ao lançar um projeto que exige presença, pausas e escuta ativa.
Um trabalho que convida o público a desacelerar, permitindo que sua arte (e sua própria presença) sejam absorvidas com calma, despertando sentimentos muitas vezes abafados pela pressa cotidiana.
Além disso, Taehyung também se destaca em ensaios fotográficos que desafiam noções tradicionais de masculinidade. Ele abraça propostas que flertam com o que muitos ainda classificam como “feminino demais”, mas que, na verdade, apenas evidenciam sua sensibilidade e criatividade — não só como artista, mas como indivíduo. Não é à toa que hoje ele mantém contratos como embaixador de nove marcas e tem seu rosto estampado globalmente, muito além da Coreia do Sul.

Taehyung mostra, hoje, que autenticidade e sensibilidade não são sinais de fraqueza, mas de resistência.
Que masculinidade não está na forma de se vestir, e sim na coragem de ser quem se é: sensível, curioso, disposto a conhecer o mundo sem perder a própria essência e, sobretudo, sem desaparecer em meio às multidões moldadas pela velocidade e pela constante evolução da era digital.
Texto por Taynah Cardoso.

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