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Bad Bunny no Super Bowl: entre o peso do palco e o poder da representatividade

  • revistatuntun
  • 29 de out. de 2025
  • 3 min de leitura

Quando Bad Bunny subir ao palco do Super Bowl LX, em fevereiro de 2026, ele não estará apenas entregando um espetáculoestará desafiando estruturas. Pela primeira vez, um artista porto-riquenho e majoritariamente hispânico ocupa o intervalo mais assistido da cultura norte-americana. E isso, por si só, é histórico.


Um palco que se torna território político:


A decisão da NFL de manter o cantor como atração principal não veio sem ruído. Desde o anúncio, feito em setembro, a repercussão mistura entusiasmo e controvérsia. De um lado, milhões celebram o avanço da cultura latina em um espaço dominado por narrativas anglo-americanas; de outro, setores conservadores acusam a liga de “politizar o entretenimento”.


Durante a conferência Masters of Marketing da Associação Nacional de Anunciantes, o diretor de marketing da NFL, Tim Ellis, foi direto:

Nem todo mundo precisa gostar das nossas escolhas. O Bad Bunny é incrível, e entendemos o impacto cultural que ele representa.”

Essa fala resume o ponto: a escolha é menos sobre agradar e mais sobre reposicionar o que o público entende por cultura americana.


De Porto Rico para o mundo:


O cantor, cujo álbum De Bi TiRAR MÁS FoToS se tornou o primeiro de 2025 a ultrapassar 7 bilhões de streams no Spotify, tem construído uma trajetória que equilibra irreverência, discurso político e inovação musical. Bad Bunny nunca foi neutro — e talvez seja justamente por isso que sua presença incomoda.


Vale lembrar que ele chegou a declarar que não faria shows nos Estados Unidos durante sua turnê, em protesto contra as políticas imigratórias. Agora, ao aceitar o maior palco do país, o artista reacende um dilema que acompanha muitos criadores latinos: é possível estar dentro do sistema sem ser engolido por ele?


Entre a coerência e a conquista:


As críticas não tardaram. Parte do público o acusa de hipocrisia — afinal, quem se recusou a pisar no país agora será o centro da festa americana. No entanto, esse argumento ignora algo essencial: ocupar o espaço também é um ato político.


Bad Bunny não se contradiz ao aceitar o Super Bowl; ele amplia a arena do discurso. Sua apresentação tem o potencial de ressignificar o que significa ser latino em uma América que ainda hesita em reconhecer sua diversidade. Assim, o que poderia parecer concessão se transforma em oportunidade de visibilidade histórica.


O simbolismo da escolha:


A presença de um artista que canta majoritariamente em espanhol no intervalo de um evento assistido por mais de 100 milhões de pessoas não é um detalhe — é um marco. A NFL, por sua vez, parece consciente disso.


Durante entrevista, o comissário Roger Goodell afirmou que a decisão “não seria revista” e destacou que o processo levou em conta “alcance global e relevância cultural”.


A escolha também faz parte da nova estratégia de marketing da liga, que busca aproximação com públicos jovens e diversos, conectando esporte, moda e música em narrativas mais autênticas. É uma tentativa de romper com a bolha tradicional do futebol americano e, ao mesmo tempo, dialogar com a nova geração que consome cultura como identidade.


O que esperar do show:


O impacto do Super Bowl 2026 não será medido apenas pela performance. Mais importante será o pós-palco: o que Bad Bunny dirá, como se posicionará e de que forma transformará o espetáculo em discurso.


Haverá mensagens políticas explícitas? O espanhol terá espaço predominante? Essas escolhas determinarão se o show será lembrado como gesto de afirmação ou como produto do mainstream.


Para o próprio artista, o momento é de retribuição. “O que estou sentindo vai além de mim. É por aqueles que vieram antes de mim e correram incontáveis jardas para que eu pudesse entrar e marcar um touchdown”, disse ele, em tom emocionado.

Muito além da música:


Num país em que políticas migratórias continuam a dividir famílias e milhões de imigrantes deixam os EUA todos os anos, a presença de Bad Bunny em um palco tão simbólico carrega peso extra. Representa não só a ascensão latina, mas também a complexa relação entre identidade, pertencimento e poder cultural.


Assim, o Super Bowl de 2026 promete mais do que uma performance: será um espelho das contradições e conquistas da América contemporânea.


No fim das contas


Bad Bunny pode até dividir opiniões, mas o fato é que sua presença no Super Bowl consolida uma virada de página. Ele não apenas entra no jogo — redefine as regras.

E se o show for, como tudo indica, um grito em espanhol em meio à festa americana, talvez o maior touchdown da noite não esteja no campo, mas no palco.


Texto por Jady Bello.

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